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Marido da Infanta Cristina condenado a seis anos de prisão

A infanta Cristina de Espanha foi absolvida de dois crimes fiscais no caso Nóos. O seu marido, Iñaki Urdangarin, foi condenado a seis anos e três meses de prisão. Urdangarin foi condenado a prisão efetiva por crimes de prevaricação, desvio de capitais, fraude, tráfico de influência e delitos contra o tesouro. Além da pena de prisão, Urdangarin terá de pagar uma multa de 512 mil euros. Segundo o El País, a sentença foi aprovada por unanimidade pelas três juízas do Tribunal. Já a infanta Cristina terá de pagar uma multa de 265.088 euros por ter beneficiado dos crimes cometidos pelo marido, sem conhecer a origem criminosa do dinheiro, escreve o El Español, evitando uma pena de prisão. O sócio de Urdangarin, Diego Torres, foi condenado a 8 anos e 6 meses de prisão e ainda ao pagamento de uma multa de 1,7 mihões de euros.

O caso Nóos remonta a 2006, altura em que o jornal El Mundo denunciou um pagamento suspeito feito por uma instituição pública ao Instituto Nóos, empresa de fachada liderada por Iñaki Urdangarin, o marido da infanta Cristina. A investigação começaria oficialmente cinco anos depois, em 2011, quando foram encontradas as primeiras evidências contra Urdangarin e a infanta Cristina, e a acusação formal viria apenas em 2014. A filha do Rei e o marido foram acusados de fraude fiscal e de branqueamento de capital, depois de o caso ter contribuído, durante oito anos, para a perda de credibilidade da Casa Real.

Em causa está o desvio de dinheiros públicos para Urdangarin — Cristina foi implicada por ter beneficiado do dinheiro desviado — através do Instituto Nóos, uma suposta fundação desportiva sem fins lucrativos. Urdangarin e o seu sócio Diego Torres terão cobrado mais de seis milhões de euros aos governos regionais de Valência e das Ilhas Baleares, para realizarem eventos públicos com um custo substancialmente inferior (cerca de dois milhões de euros). O restante era desviado para as empresas privadas de Urdangarin e de Torres.

É aqui que entra a Casa Real: uma das empresas privadas para onde era desviado o dinheiro era a Aizoon, que era propriedade dos duques de Palma de Maiorca, Cristina e Urdangarin, cada um com 50% do capital. O dinheiro que entrava na Aizoon vindo do Instituto Nóos era depois utilizado para fins particulares pelos duques, em movimentos declarados como parte da atividade empresarial de Cristinia e Urdangarin.

Logo em 2011, quando a investigação arrancou, o Rei Juan Carlos fez questão de sublinhar, na mensagem de Natal, que Espanha “é um Estado de direito”, pelo que “qualquer ação censurável deverá ser julgada e sancionada segundo a lei”. Uma indicação de que a Casa Real não protegeria a infanta Cristina, independentemente do resultado do julgamento. Em 2014, já foi o novo Rei, Felipe VI, irmão de Cristina, a ver-se a braços com a notícia da acusação, numa altura em que aumentava a pressão no país para que a infanta renunciasse à sua posição dentro da Casa Real (ou seja, que saísse da linha de sucessão, em que ocupa o sexto lugar).
Fonte: Observador.

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