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O que (quase) não se falou na noite eleitoral de 4 de Outubro de 2015

Segundo o jornal Económico, para além da perda da maioria absoluta pela coligação, da derrota do PS e da ascensão do Bloco de Esquerda, o 4 de Outubro trouxe outras peculiaridades.

Imagem eleições legislativas 2015  - Cabeças de lista dos principais partidos

CDS tem menos deputados que o BE

‘Pescados' no meio da coligação os nomes dos militantes eleitos pelo CDS, chega-se à conclusão que o PSD está coligado com a quarta maior força partidária do país, ex-aequo com os comunistas. O partido liderado por Paulo Portas elegeu 17 deputados - tantos como a CDU, mas menos dois que o Bloco de Esquerda. Continua a ser verdade aquilo que Portas tem dificuldade em entender: há mais trotsquistas que democratas-cristãos em Portugal.

António Costa perdeu em Lisboa

O líder do PS, António Costa, não se limitou a perder as eleições: perdeu também em Lisboa - cidade que liderou e que, paradoxalmente, serviu de trampolim à sua candidatura a secretário-geral do partido. O ex-presidente da Câmara atingiu na capital os 34,76%, contra os 37,47% obtidos pela coligação PSD/CDS.

Melgaço campeão das abstenções

Mais de 67,1% dos eleitores de Melgaço, em Viana do Castelo, optaram por não por os pés nas eleições. Foram os campeões do abstencionismo, mas houve muitas outras freguesias que apresentam forte concorrência, com várias marcas acima da fasquia dos 65%.

Sardoal campeão dos participantes

Sardoal arrisca-se a ser a aldeia mais central do país. Mas não é por isso que passou a ser notícia: foi o concelho menos abstencionista no acto eleitoral de domingo. Apenas 29,53% dos eleitores optou por não votar. Segundo as estatísticas mais recentes, a aldeia é habitada por cerca de duas mil pessoas. Juntamente com Sardoal, Vila de Rei (em Castelo Branco) foi, com uma abstenção de 29,57%, o outro concelho que conseguiu ficar abaixo da barreira psicológica dos 30%.

Quem é o novo deputado do PAN?

André Lourenço e Silva, de 39 anos, é formado em Engenharia Civil, com especialização em recuperação do património arquitectónico e artístico. Vive em Lisboa, numa casa com uma horta de 50 metros quadrados. É vegetariano (dir-se-ia quase uma obrigação de coerência!), pratica mergulho e está no PAN desde 2012. Afirma que o seu partido é um projecto de cidadania.

Portugal dividido entre o laranja e o rosa

Se se traçar uma linha oblíqua entre o noroeste do distrito de Setúbal e sudeste de Castelo Branco essa linha é a fronteira entre o país laranja, para Norte, e o país rosa, para Sul. Esta hegemonia só se perde se a observação for mais fina e atingir o nível dos concelhos. Aí, há algumas bolsas socialistas no país laranja, mas apenas uma social democrata no país rosa. Mas o país rosa também tem de ‘suportar' algumas bolsas comunistas no Alentejo profundo.

Mais mulheres no Parlamento...

Na próxima legislatura, um terço do Parlamento vai ser ocupado por mulheres: serão 76 num total de 230 lugares. O número de deputadas cresceu em relação às eleições legislativas de 2011, são agora mais 14, do que há quatro anos. Na coligação Portugal à Frente, dos 104 deputados eleitos, 33 são mulheres; no PS, dos 85 deputados eleitos, 27 são mulheres, enquanto que no Partido Comunista Português/Verdes, dos 17 deputados eleitos, sete são mulheres. No PPD/PSD Madeira, dos três candidatos eleitos, duas são mulheres, e no PPD/PSD Açores foi eleito um candidato e uma candidata.

... mas menos no BE

Num partido que cresceu à custa de duas mulheres, Catarina Martins e Mariana Mortágua, os homens são quem mais ordena... De facto, e contra o que poderiam ser expectativas básicas, o Bloco de Esquerda é quem apresenta o pior ‘score' em termos de representação parlamentar no feminino: 31,5%. PàF e PS atingem os 31,7% e a CDU ascende aos 41%. À margem disto, o PAN elegeu 100% de homens...

Afinal, a abstenção foi a maior de sempre

Às 19 horas, quando as urnas estavam a fechar no Continente e na Madeira, uma televisão divulgava os resultados de uma sondagem segundo a qual as abstenções tenderiam a ser muito poucas. Vários membros de diversos partidos entenderam ser razoável dar uma explicação para o facto - apresentando conhecimentos mais ou menos profundos na área da sociologia aplicada a actos eleitorais. No final, afinal as sondagens também e enganam: a abstenção atingiu os 43,1%, a maior desde sempre. Só em 2009 se inverteu esta tendência, consolidada desde os anos 80. Fonte: Económico.

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