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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Segundo o jornal Económico, para além da perda da maioria absoluta pela coligação, da derrota do PS e da ascensão do Bloco de Esquerda, o 4 de Outubro trouxe outras peculiaridades.

Imagem eleições legislativas 2015  - Cabeças de lista dos principais partidos

CDS tem menos deputados que o BE

‘Pescados' no meio da coligação os nomes dos militantes eleitos pelo CDS, chega-se à conclusão que o PSD está coligado com a quarta maior força partidária do país, ex-aequo com os comunistas. O partido liderado por Paulo Portas elegeu 17 deputados - tantos como a CDU, mas menos dois que o Bloco de Esquerda. Continua a ser verdade aquilo que Portas tem dificuldade em entender: há mais trotsquistas que democratas-cristãos em Portugal.

António Costa perdeu em Lisboa

O líder do PS, António Costa, não se limitou a perder as eleições: perdeu também em Lisboa - cidade que liderou e que, paradoxalmente, serviu de trampolim à sua candidatura a secretário-geral do partido. O ex-presidente da Câmara atingiu na capital os 34,76%, contra os 37,47% obtidos pela coligação PSD/CDS.

Melgaço campeão das abstenções

Mais de 67,1% dos eleitores de Melgaço, em Viana do Castelo, optaram por não por os pés nas eleições. Foram os campeões do abstencionismo, mas houve muitas outras freguesias que apresentam forte concorrência, com várias marcas acima da fasquia dos 65%.

Sardoal campeão dos participantes

Sardoal arrisca-se a ser a aldeia mais central do país. Mas não é por isso que passou a ser notícia: foi o concelho menos abstencionista no acto eleitoral de domingo. Apenas 29,53% dos eleitores optou por não votar. Segundo as estatísticas mais recentes, a aldeia é habitada por cerca de duas mil pessoas. Juntamente com Sardoal, Vila de Rei (em Castelo Branco) foi, com uma abstenção de 29,57%, o outro concelho que conseguiu ficar abaixo da barreira psicológica dos 30%.

Quem é o novo deputado do PAN?

André Lourenço e Silva, de 39 anos, é formado em Engenharia Civil, com especialização em recuperação do património arquitectónico e artístico. Vive em Lisboa, numa casa com uma horta de 50 metros quadrados. É vegetariano (dir-se-ia quase uma obrigação de coerência!), pratica mergulho e está no PAN desde 2012. Afirma que o seu partido é um projecto de cidadania.

Portugal dividido entre o laranja e o rosa

Se se traçar uma linha oblíqua entre o noroeste do distrito de Setúbal e sudeste de Castelo Branco essa linha é a fronteira entre o país laranja, para Norte, e o país rosa, para Sul. Esta hegemonia só se perde se a observação for mais fina e atingir o nível dos concelhos. Aí, há algumas bolsas socialistas no país laranja, mas apenas uma social democrata no país rosa. Mas o país rosa também tem de ‘suportar' algumas bolsas comunistas no Alentejo profundo.

Mais mulheres no Parlamento...

Na próxima legislatura, um terço do Parlamento vai ser ocupado por mulheres: serão 76 num total de 230 lugares. O número de deputadas cresceu em relação às eleições legislativas de 2011, são agora mais 14, do que há quatro anos. Na coligação Portugal à Frente, dos 104 deputados eleitos, 33 são mulheres; no PS, dos 85 deputados eleitos, 27 são mulheres, enquanto que no Partido Comunista Português/Verdes, dos 17 deputados eleitos, sete são mulheres. No PPD/PSD Madeira, dos três candidatos eleitos, duas são mulheres, e no PPD/PSD Açores foi eleito um candidato e uma candidata.

... mas menos no BE

Num partido que cresceu à custa de duas mulheres, Catarina Martins e Mariana Mortágua, os homens são quem mais ordena... De facto, e contra o que poderiam ser expectativas básicas, o Bloco de Esquerda é quem apresenta o pior ‘score' em termos de representação parlamentar no feminino: 31,5%. PàF e PS atingem os 31,7% e a CDU ascende aos 41%. À margem disto, o PAN elegeu 100% de homens...

Afinal, a abstenção foi a maior de sempre

Às 19 horas, quando as urnas estavam a fechar no Continente e na Madeira, uma televisão divulgava os resultados de uma sondagem segundo a qual as abstenções tenderiam a ser muito poucas. Vários membros de diversos partidos entenderam ser razoável dar uma explicação para o facto - apresentando conhecimentos mais ou menos profundos na área da sociologia aplicada a actos eleitorais. No final, afinal as sondagens também e enganam: a abstenção atingiu os 43,1%, a maior desde sempre. Só em 2009 se inverteu esta tendência, consolidada desde os anos 80. Fonte: Económico.
Passos abre a portas a negociação com socialistas. Costa diz que não alimentará "maiorias negativas". BE rejeita "direita minoritária". Jerónimo diz que PS tem condições para ser governo.

Foto de Passos Coelho
"Para nós celebrar é só com maioria absoluta", afirma, decidido Fernando Catarino, um apoiante da coligação, sentado com a sua mulher, Maria Teresa Pacheco Nobre, numa das mesas do bar do hotel, que foi palco da noite eleitoral da coligação Portugal à Frente. No piso de baixo, onde, ao longo da noite se foram juntando dirigentes do PSD e do CDS, governantes e centenas de apoiantes, era notória a mesma sensação, mas contida, de Fernando Catarino.

A vitória tinha um quê de sabor amargo. A coligação não tinha alcançado a maioria "positiva", ou "inequívoca", ou "boa", como tantas vezes adjetivou Passos Coelho ao longo da campanha eleitoral, porque nunca quis utilizar a palavra "absoluta".

"Se morrermos na praia será por muito pouco, mas a vitória é inequívoca de qualquer forma", expressava Nuno Magalhães, o cabeça de lista do CDS, eleito por Setúbal, quando ainda havia uma ténue esperança que a coligação pudesse ultrapassar os 50% dos votos, como nas legislativas de 2011.

Perto das 18.30, meia hora, portanto, antes de fecharem as urnas no território continental, começaram a circular algumas sondagens que davam já a coligação como ganhadora. "Estou aqui a disfarçar para não explodir de alegria", confessava ao DN um vice-presidente do PSD, agarrado ao telemóvel, não conseguindo esboçar um sorriso. No minutos que antecederam a divulgação das primeiras projeções, havia um frenesim incessante de gente pelos corredores, num sobe e desce dos elevadores, que se foi dirigindo para a frente dos ecrãs. Em sincronia absoluta, acompanhou a contagem decrescente dos canais televisivos. Quando se visualizaram os resultados, irromperam aos gritos "Portugal! Portugal!" e aplaudiram ruidosa e fortemente a vitória. Na "fila" da frente estavam a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, ao lado de Braga de Macedo ,que ocupou a mesma pasta, no governo de Cavaco Silva. Não se ouviu nunca entoar as siglas dos partidos da coligação, PSD e CDS, tal como aconteceu durante toda a campanha eleitoral. As palavras de ordem oficiais foram esta noite, tal como nos outros dias e noites de campanha, apenas "Portugal!" ou "Portugal à Frente", separando as duas palavras uns segundos.

Nas quase três horas que se seguiram, até ser dado como certo que a maioria tinha ficado perto, mas na "praia", onde a coligação não tinha chegado, observou-se um corre-corre entre os pisos mais abaixo, onde estava a imprensa e os convidados, e o 12º andar, onde Pedro Passos Coelho e Paulo Portas se instalaram com o seu staff. Passos teve com ele Laura Ferreira, a mulher, que apareceu pela primeira vez neste processo eleitoral.

No corredor, junto à porta da suite, guardada pelos seguranças pessoais do primeiro-ministro, o vice-presidente do PSD, Matos Correia, o eleito por Viana do Castelo, Carlos Abreu Amorim, andavam de um lado para o outro, agarrados ao telefone, ainda antes de António Costa discursar. A reação dos líderes da coligação estava a ser preparada lá dentro e o seu tom dependia das palavras do dirigente do maior partido da oposição. Com Passos estava Marco António Costa, vice-presidente do PSD e com Paulo Portas, Pedro Mota Soares, vice-presidente do CDS, na primeira linha de apoio.

Na sala dos convidados, iam-se ouvindo os resultados, em direto nas televisões, mas também através dos vários militantes que, de telemóvel ao ouvido, iam sabendo as votações dos seus concelhos e distritos. "Em Azambuja, que é PS, estamos a perder só por 40 votos nas mesas dos mais velhos, mas a ganhar de longe nas mesas dos mais jovens!", exclama uma mulher.

Havia também conversas sobre a possível constituição do novo governo, quem pode ficar, quem deve sair, que tem mesmo de sair. Rui Machete, o ministro dos Negócios Estrangeiros, foi dos primeiros a chegar à sede de campanha e dos últimos sair. Preparado para o novo governo? "Isto é uma missão. Eu tenho a minha profissão. Depende se for necessário o esforço. Será o que o primeiro-ministro entender", declarou.

Faziam-se análises aos resultados, que muitos admitiam como "impensáveis há seis meses" e faziam-se as contas à estratégia de campanha da coligação. "Foi tudo muito bem pensado e planeado. Passos era a figura de estadista, Portas o que ia para o ringue de boxe quando necessário", dizia um conhecido cavaquista, que acompanhou as campanhas do atual Presidente da República. Por outro lado, acrescentou, "houve, a partir da segunda semana de campanha, uma grande desilusão com António Costa e em política, quando não se sabe gerir as expectativas isso paga-se muito caro. O voto útil acabou por funcionar contra o PS".

Para Sofia Aureliano, autora da biografia autorizada de Passos Coelho - Somos o que escolhemos ser - a vitória, mesmo sem maioria, é o resultado das "características que se lhe distinguiram nos últimos quatro anos, como a perseverança e a resiliência. Passos soube transmitir às pessoas a ideia de confiança e previsibilidade.

Foi em silêncio quase total que dezenas de apoiantes da coligação se colaram aos vários ecrãs de televisão para ouvir a declaração de António Costa. As suas palavras deixaram um desconforto latente. "Fica tudo um bocado pantanoso...", comentava um dirigente. Quando, terminado o discurso do secretário-geral do PS, os socialistas aclamaram aos gritos de "Costa! Costa!", aqui as palavras entoadas foram, mais uma vez, "Portugal! Portugal".

Um mar de gente, centenas, dirigentes, governantes, militantes, anónimos, começaram depois a afluir à sala onde Passos e Portas iriam falar. No 12º andar o discurso de Costa não foi o esperado, garantiram ao DN fontes que estavam no círculo mais próximo dos líderes. "Podia ter sido mais ao centro, mas foi sentido como uma viragem à esquerda", confidenciou. Demorou pouco menos de 20 minutos até Passos Coelho e Paulo Portas descerem, acompanhados, sempre, pelas palavras de ordem da campanha. Passos Coelho, garantiu respeitar "humildemente" a decisão dos portugueses de não ter dado a maioria à coligação, mas vincando o seu desejo de estabelecer "compromissos" para governar "para todos" os portugueses. "As nossas obrigações de Governo obrigam-nos a pôr de lado as bandeiras partidárias e a juntar todos os que querem construir um país melhor para o poderem fazer com o governo. Tomarei a iniciativa, no plano parlamentar, de contactar o PS no sentido de junto do PS procurar os entendimentos que são indispensáveis, as reformas importantes e estruturantes".

Paulo Portas não resistiu a atirar uma farpa a Costa, comparando os resultados eleitorais do PS - uma "derrota inabalável" - com os das europeias. "Toda a gente sabe quais foram as consequências no partido", frisou. Analisando o aumento dos votos à esquerda, considerou que essa evolução "nada tem a ver" com o que aconteceu em Espanha ou na Grécia. "Não vale a pena apelar a qualquer insurreição", salientou. Fonte: DN-Política.

domingo, 4 de outubro de 2015

Imagem de Eleições 2015A coligação Portugal à Frente, no Governo, vence as eleições deste domingo com 39,2%, elegendo 112 deputados, de acordo com o ponto médio dos intervalos de uma grande sondagem à boca das urnas TVI/Intercampus.

Nesta projeção com voto em urna, o PS fica com 31,7%, elegendo 83 deputados.

A terceira força política é o Bloco de Esquerda, que consegue uma votação recorde, com 10,2%, alcançando um recorde também de até 19 deputados.

A coligação Democrática Unitária, a CDU, fica com 10,2% por votos e com uma bancada parlamentar de 16 deputados.

A novidade nesta eleição, segundo esta projeção, é possibilidade do Juntos Pelo Povo! (JPP), do Pessoas-Animais e Natureza (PAN) e do LIVRE poderem eleger entre zero a 1 deputados.

Ficha Técnica

Sondagem Intercampus para a TVI, realizada no dia 4 de outubro de 2015, com o objetivo de identificar o resultado da votação para as eleições legislativas em 2015.

Universo constituído por eleitores que participaram no ato eleitoral. Com recolha através de simulação de voto em urna, a amostra é constituída por 17.726 entrevistas, recolhidas em 27 freguesias de Portugal continental. O erro de amostragem, para um intervalo de confiança de 95%, é de mais ou menos 0,7%. Os resultados da projeção são directamente obtidos a partir de uma sondagem realizada pela Intercampus. Fonte: TVI24.